Assim começa a saga da menina sem seu coração abajur,que lentamente se ajoelha ao lado de sua cama e a empurra com a pouca força que lhe resta, então como se fosse uma mágica um alçapão
surge, ela o levanta e entra. Mas não era mágica e sim uma artimanha de seu coração
abajur, que mesmo longe exercia uma influência enorme para que as coisas, por piores
que parecessem, dessem certo de alguma forma.
Confusa e apenas seguindo ordens invisíveis, ela se deparou numa sala muito bonita,
com carpete vermelho gritante, bem no meio dele havia uma escada em espiral e
nada mais, as pareces eram de madeira e no teto havia um lindíssimo lustre também
em espiral.
A menina estava com medo, então tirou um dos brincos que usava e o jogou, não
conseguiu ouvir o barulho dele chegando ao chão então deduziu que era uma escada
quase eterna, desanimada pensou que seria exatamente esse o tempo que ela
levaria até recupera-lo, mas começou a descer a escadar, afinal era a única opção
que havia naquela sala.
Algo que ela desconhecia era que ao começar a descer e não poder visualizar mais a sala,
esta como uma flor se fechou, as madeiras da parede se descolaram e se juntaram ao carpete,
e a escada ficou a pairar num céu estrelado. Nada mais existia em volta, e ela já não percebia
que agora fazia parte deste mundo em espiral também.
A menina descia, descia para uma luz, já não sentia medo, e borboletas surgiam por todos
os lados, inclusive pousando em seus cabelos, em seu pijama. Já não se sentia fraca.
Começaram a surgir janelas que pairavam numa escuridão sem fim. Janelas que mostravam diversos mundos paralelos. Em qual delas entrar?! Em qual delas procurar meu coração abajur?!
Ela se indagava, mas não havia nenhuma resposta dentro de sua mente, apenas o barulho do
vento, o ronronar de um gato e um assobio de um calau louco. Estava se sentindo vazia, e todas imagens e som interagiam com ela de uma forma única. Mas não era um vazio triste, era um vazio composto de diversas oportunidades.
Mal notou e pulou da escada em espiral, não iria entrar em nenhuma janela, não faria o óbvio,
o sensato ou aceitável. Logo viu seu brinco pairando no ar, sendo admirado por cinco borboletas amarelas, ela jamais ouviria o som dele, pois ali não havia limites, não haveria nunca um chão,
a não ser que você esperasse por um.
Então foi percebendo que algumas formas iam aparecendo ao redor, ela havia chegado em algum
lugar, haviam muitas pedras, muitas árvores e alguns templos gregos sendo reconstruídos.
Era tudo muito natural, e naturalmente ela não se sentia só. Cansada de cair, finalmente
chegou em algum lugar e o alívio que isso causou a fez sorrir para as ameixas.
Se por acaso seu coração estivesse por ali, enfeitando esse lugar já dotado de belezas inimagináveis, ela ficaria agradecida por ele ter fugido e a guiado para um lugar tão
bonito. Ficaria com ele por ali, até que ele sumisse de novo, para ela procurá-lo e sempre
se deparar com lugares melhores. A menina apesar da imensa alegria não sentia a presença
dele, o procurou incessantemente e nada...
Perto do templo destruído que ficava na parte plana, ela encontrou uma cachoeira e ficou
por ali, enquanto tentava assimilar tudo que havia acontecido pela manhã até chegar
naquela ilha desconhecida, devia ser uma ilha, ou não?! Jamais saberia.
Baco, o dono desta nova ilha no mundo em espiral, a observava, curioso e ao mesmo
tempo animado com a descoberta dessa garota.
Ele havia a conduzido para sua ilha, ao perceber que cansada e sob influência de qualquer força,
após ter saltado da escada em espiral,ela poderia ser levada como uma folha. Apaixonado,
desde então, precisava descobrir o "por quê" de tudo isso. Ele estava disposto a fazer
qualquer coisa por ela.
Ela escutou folhas sendo amassadas atras de si, e se virou, então viu Baco e tudo parou.
Longe, bem distante, o coração se acendeu e começou a bater muito forte, causando
o desmoronamento de mais da metade da casa subterrânea do duende, que apavorado correu
para perto do coração abajur, o único lugar aparentemente seguro. Estava decidido,
precisava se livrar desse objeto mas estava com medo de tocá-lo. Não entendia o porquê
da revolta de um objeto, ou talvez de sua felicidade, afinal ele estava radiante novamente,
porém mais letal que nunca.
Enquanto isso, a menina petrificada diante de Baco, que em pleno meio dia, reluzia
e com seus cachos amendoados se tornava ainda mais atraente, sua pele alva, seus
lábios levemente rosados e seus olhos azuis, alimentavam a imaginação da menina
para os mais doces devaneios. Num segundo momento sublime, ela sorriu.
(...)
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Coração Abajur [2]
(...)
Mal pode acreditar ao notar que seu criado mudo estava vazio, sem luz,
sem seu coração abajur. Desesperada desmaiou, voltando para o mundo
paralelo onde pensava viver coisas boas.
Rapidamente retornou, com a visão ainda turva começou a entender
os traços de seu quarto escuro. Escuro até quando?!
Enquanto isso o duende estava adormecido depois de se deixar
levar pelos deliciosos instantes que o coração abajur lhe
proporcionava, aquela luz e a pulsação o acalmavam como
uma canção de ninar. Mas o coração abajur já não estava radiante
mas sim com um brilho doente e batidas barulhentas e atormentadas.
Com isso o duende acordou nervoso de seus pesadelos comumente
desagradáveis. Tão acostumado a desgraça, com um segundo de doçura
ficou mal acostumado, como se tivesse vivido sempre de sonhos
e pela primeira tivesse encontrado a tortura da miséria de seu subterrâneo.
No que havia transformado aquele belo objeto de sua afeição?! Teria se
adaptado? Ou apenas se revoltado com a ausência de... de algo que ele
não sabia mais o que era, nem se lembrava onde havia pegado aquele,
agora, incomodo pulsante.
Não sabendo o que fazer, pensou em simplesmente jogá-lo fora pois já
que não sabia como jogar a própria vida , jogava tudo que o atormentava
um pouco. Ao tentar se aproximar foi atirado longe, no meio de vários
abacaxi que cortaram sua dura pele, devido a intensidade da queda.
Aquelas mãos sujas jamais tocariam o coração abajur, e isso ele
pode evitar, indignando o duende que pensava que podia tudo.
Na diagonal, há milhares e milhares de lhamas de distâncias, a menina
de coração roubado sentiu seu coração fisga-la, como um peixe em movimento
que preso ao anzol permanece conectado até finalmente rasgar e se libertar
deixando um insignificante rastro de sangue. A menina começou
a andar em direção ao nada, fraca e com a mão no peito que há tempos
não emitia nenhum som. Apesar disso ela levava uma certeza com ela:
iria recuperar seu coração abajur!
Continua(...)
Mal pode acreditar ao notar que seu criado mudo estava vazio, sem luz,
sem seu coração abajur. Desesperada desmaiou, voltando para o mundo
paralelo onde pensava viver coisas boas.
Rapidamente retornou, com a visão ainda turva começou a entender
os traços de seu quarto escuro. Escuro até quando?!
Enquanto isso o duende estava adormecido depois de se deixar
levar pelos deliciosos instantes que o coração abajur lhe
proporcionava, aquela luz e a pulsação o acalmavam como
uma canção de ninar. Mas o coração abajur já não estava radiante
mas sim com um brilho doente e batidas barulhentas e atormentadas.
Com isso o duende acordou nervoso de seus pesadelos comumente
desagradáveis. Tão acostumado a desgraça, com um segundo de doçura
ficou mal acostumado, como se tivesse vivido sempre de sonhos
e pela primeira tivesse encontrado a tortura da miséria de seu subterrâneo.
No que havia transformado aquele belo objeto de sua afeição?! Teria se
adaptado? Ou apenas se revoltado com a ausência de... de algo que ele
não sabia mais o que era, nem se lembrava onde havia pegado aquele,
agora, incomodo pulsante.
Não sabendo o que fazer, pensou em simplesmente jogá-lo fora pois já
que não sabia como jogar a própria vida , jogava tudo que o atormentava
um pouco. Ao tentar se aproximar foi atirado longe, no meio de vários
abacaxi que cortaram sua dura pele, devido a intensidade da queda.
Aquelas mãos sujas jamais tocariam o coração abajur, e isso ele
pode evitar, indignando o duende que pensava que podia tudo.
Na diagonal, há milhares e milhares de lhamas de distâncias, a menina
de coração roubado sentiu seu coração fisga-la, como um peixe em movimento
que preso ao anzol permanece conectado até finalmente rasgar e se libertar
deixando um insignificante rastro de sangue. A menina começou
a andar em direção ao nada, fraca e com a mão no peito que há tempos
não emitia nenhum som. Apesar disso ela levava uma certeza com ela:
iria recuperar seu coração abajur!
Continua(...)
domingo, 3 de janeiro de 2010
Coração Abajur
As 15:57 da tarde com a porta meio aberta, a luz penetrando pelas frestas da janela.
As cortinas claras, rosas ou escuras balançavam de leve acompanhando as
batidas de luz de seu coração abajur. A tal adormecida o havia retirado após
deixar que fosse consumido por completo, nada restava em seu interior além
dessa estranha luz avermelhada e fluorescente.
Desde então durante todas noites ela realizava o mesmo ritual para que
este coração abajur não se resfriasse nem desistisse, por fim, de brilhar.
Era um consolo vê-lo no criado mudo da cama, uma companhia única
que possuia ao se perder em devaneios noturnos. Porém ele, um duende
de calças curtas amarelas, que segurava um abacaxi a observava pela
porta, aquela meio aberta do começo do texto e aí que tudo se complica
pois ele fascinado pela luz do coração abajur, olhou tristonho para seu
abacaxi: este me machuca a palma das mãos e não possui uma luz assim
portanto não o quero mais!
Se julgando muito esperto entrou no quarto na ponta de seus pés
imaginários, dotados de uma rapidez incontrolável e inalcançável
até então. Começou a passar a mão em volta do coração abajur ,
sem encostar, uns quatro centímetros de distância, parecia
estar massageando o ar que estava em volta, hipnotizado pelo
orgão que pulsava brilhante diante de si. Mas ao recobrar sua
consciência egoísta o pegou sem ao menos se importar com
o valor que lhe atribuiam, sem pensar na menina adormecida
e toda consequência disso.
Saiu do quarto num passo rápido, e este passo foi um mundo
e o mundo não era nada. Levou o coração abajur para além
da terra, passou por árvores em espirais infinitas,
casas, um mundo em espiral, onde quem não fosse atento
ficaria tonto rápido e seria persuadido a fazer qualquer
coisa que o destruisse.
Embaixo desse mundo morava o duende,um lugar sem luz,
com retratos de ratos pelas paredes, cadeiras de insetos
gigantes, copos de chapéus de seda bordados com calendários
do ano chinês. Haviam muitos abacaxis, por todos lados, um sofá
triste no lado esquerdo, perto de uma janela de pedra, pela qual
não se via nada, nem se podia sonhar com as estrelas.
Mas o que importava naquele cenário imundo além do coração abajur?
Enquanto houvesse graça, era isso que importava , enquanto
pulsava, enquanto houvesse luz. O que o duende não sabia era
que longe da tal dona, o coração abajur perderia sua luz,
afinal a alegria e contentamento dela o mantinha aceso
e pulsante. Enquanto isso, ele o colocou no alto de uma estante
a fim de iluminar todo o quarto sombrio e sem graça,
sentou numa poltrona de retalhos e ficou satisfeito observando.
Do outro lado dos mundos em espiral, acordava uma menina
num sobressalto, como se faltasse ar, talvez fosse um pesadelo
horrível, realmente seria, assim que ela desse conta de que
lhe haviam furtado o coração abajur.
(...) continua!
As cortinas claras, rosas ou escuras balançavam de leve acompanhando as
batidas de luz de seu coração abajur. A tal adormecida o havia retirado após
deixar que fosse consumido por completo, nada restava em seu interior além
dessa estranha luz avermelhada e fluorescente.
Desde então durante todas noites ela realizava o mesmo ritual para que
este coração abajur não se resfriasse nem desistisse, por fim, de brilhar.
Era um consolo vê-lo no criado mudo da cama, uma companhia única
que possuia ao se perder em devaneios noturnos. Porém ele, um duende
de calças curtas amarelas, que segurava um abacaxi a observava pela
porta, aquela meio aberta do começo do texto e aí que tudo se complica
pois ele fascinado pela luz do coração abajur, olhou tristonho para seu
abacaxi: este me machuca a palma das mãos e não possui uma luz assim
portanto não o quero mais!
Se julgando muito esperto entrou no quarto na ponta de seus pés
imaginários, dotados de uma rapidez incontrolável e inalcançável
até então. Começou a passar a mão em volta do coração abajur ,
sem encostar, uns quatro centímetros de distância, parecia
estar massageando o ar que estava em volta, hipnotizado pelo
orgão que pulsava brilhante diante de si. Mas ao recobrar sua
consciência egoísta o pegou sem ao menos se importar com
o valor que lhe atribuiam, sem pensar na menina adormecida
e toda consequência disso.
Saiu do quarto num passo rápido, e este passo foi um mundo
e o mundo não era nada. Levou o coração abajur para além
da terra, passou por árvores em espirais infinitas,
casas, um mundo em espiral, onde quem não fosse atento
ficaria tonto rápido e seria persuadido a fazer qualquer
coisa que o destruisse.
Embaixo desse mundo morava o duende,um lugar sem luz,
com retratos de ratos pelas paredes, cadeiras de insetos
gigantes, copos de chapéus de seda bordados com calendários
do ano chinês. Haviam muitos abacaxis, por todos lados, um sofá
triste no lado esquerdo, perto de uma janela de pedra, pela qual
não se via nada, nem se podia sonhar com as estrelas.
Mas o que importava naquele cenário imundo além do coração abajur?
Enquanto houvesse graça, era isso que importava , enquanto
pulsava, enquanto houvesse luz. O que o duende não sabia era
que longe da tal dona, o coração abajur perderia sua luz,
afinal a alegria e contentamento dela o mantinha aceso
e pulsante. Enquanto isso, ele o colocou no alto de uma estante
a fim de iluminar todo o quarto sombrio e sem graça,
sentou numa poltrona de retalhos e ficou satisfeito observando.
Do outro lado dos mundos em espiral, acordava uma menina
num sobressalto, como se faltasse ar, talvez fosse um pesadelo
horrível, realmente seria, assim que ela desse conta de que
lhe haviam furtado o coração abajur.
(...) continua!
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Baldio
Não pude escapar e quando me dei conta já estava quase me afogando.
Da chuva não se foge, e por isso eu nem olhei pra trás afinal eu sabia
que flechas me atravessariam caso eu ousasse, sim, era uma ousadia
mas isso eu não entendia muito bem, não questionei nada, apenas
implorei para viver.
Durante esse percurso eu via os mesmos rostos, me assustei com
tanta precisão. Eu vivia num cubo, ao redor era branco e onde meus
olhos não viam, simplesmente não existia e a escassez de pessoas
desse cubo fazia com que elas trocassem de posição a todo momento:
o motorista de ônibus de agora, ali a diante era um pipoqueiro.
Me lançavam olhares intrigados, acho que agora eles sabem que eu
descobri que tudo isso é uma mentira, estavam assustados e vão
se comunicar com o chefe para fazer com que minha mente
vire nuvem novamente, pois quando começou a chover aqui,
muita coisa ficou clara.
A viagem foi longa e uma hora esperar se torna insuportável,
quero tanto colocar os pés no chão, mas quando a espera
me atormenta a minha vontade é afundar-me na terra
fofa do meu jardim extinguido e dar vida as flores de verão.
Tudo bem, pensar demais não alivia, mas que chegue meia-noite
pr'eu começar o meu dia, tenho motivos não muito sóbrios para
isso.
Você faz com que eu transforme todo meu bronze em
ouro, percebi isso depois de quarenta minutos de
perseguição, quando as flechas voltaram eu estava
próxima de minha casa, as nuvens escuras me diziam
pr'eu correr o mais rápido que eu pudesse,
me deixei levar e forcei a porta errada, não era
minha casa, nem a sua, não era de ninguem,
nem era mesmo de uma casa.
Veja bem, no meio de um terreno baldio
havia uma porta que não levava a lugar nenhum,
preciso de certezas para atravessa-la, era assim
que eu te via nesse exato momento.
Eu a abri, pude ver uma linda sala,então eu a fechei
e não pude ver mais nada, antes de entrar
quero acreditar que essa porta me pertence
como eu pertenço a ela.
Me recolhi e guardei meu eu-secreto numa
caixinha vermelha que eu nao sei como tinha nas
mãos, parecia bem segura, eu só não queria me expor
demais por isso tive que me esconder ali,
mas deixei um pouquinho de mim em mim,
pr'eu não ficar descaracterizada demais.
Meus pés começaram a ficar quentes, eu por
inteira fui tomada por um calor sem medida,
prestes a explodir em sorrisos quando recebi
um pensamento colorido do céu escurecido,
foi improvável!
Acordei assustada depois, mal percebi que cheguei e dormi,
de tão surreal que tudo me pareceu, mas tudo bem novamente,
cruzei os braços e pensei em te ligar, realmente liguei
porém ninguém atendeu, assim que ouvi sua voz
deixei uma mensagem:
Me espere na estação 77 assim que a chuva passar,
estarei segurando uma cesta de frutas pra sangria
surpresa que vou preparar, não esqueça de se levar
à meia noite...
Da chuva não se foge, e por isso eu nem olhei pra trás afinal eu sabia
que flechas me atravessariam caso eu ousasse, sim, era uma ousadia
mas isso eu não entendia muito bem, não questionei nada, apenas
implorei para viver.
Durante esse percurso eu via os mesmos rostos, me assustei com
tanta precisão. Eu vivia num cubo, ao redor era branco e onde meus
olhos não viam, simplesmente não existia e a escassez de pessoas
desse cubo fazia com que elas trocassem de posição a todo momento:
o motorista de ônibus de agora, ali a diante era um pipoqueiro.
Me lançavam olhares intrigados, acho que agora eles sabem que eu
descobri que tudo isso é uma mentira, estavam assustados e vão
se comunicar com o chefe para fazer com que minha mente
vire nuvem novamente, pois quando começou a chover aqui,
muita coisa ficou clara.
A viagem foi longa e uma hora esperar se torna insuportável,
quero tanto colocar os pés no chão, mas quando a espera
me atormenta a minha vontade é afundar-me na terra
fofa do meu jardim extinguido e dar vida as flores de verão.
Tudo bem, pensar demais não alivia, mas que chegue meia-noite
pr'eu começar o meu dia, tenho motivos não muito sóbrios para
isso.
Você faz com que eu transforme todo meu bronze em
ouro, percebi isso depois de quarenta minutos de
perseguição, quando as flechas voltaram eu estava
próxima de minha casa, as nuvens escuras me diziam
pr'eu correr o mais rápido que eu pudesse,
me deixei levar e forcei a porta errada, não era
minha casa, nem a sua, não era de ninguem,
nem era mesmo de uma casa.
Veja bem, no meio de um terreno baldio
havia uma porta que não levava a lugar nenhum,
preciso de certezas para atravessa-la, era assim
que eu te via nesse exato momento.
Eu a abri, pude ver uma linda sala,então eu a fechei
e não pude ver mais nada, antes de entrar
quero acreditar que essa porta me pertence
como eu pertenço a ela.
Me recolhi e guardei meu eu-secreto numa
caixinha vermelha que eu nao sei como tinha nas
mãos, parecia bem segura, eu só não queria me expor
demais por isso tive que me esconder ali,
mas deixei um pouquinho de mim em mim,
pr'eu não ficar descaracterizada demais.
Meus pés começaram a ficar quentes, eu por
inteira fui tomada por um calor sem medida,
prestes a explodir em sorrisos quando recebi
um pensamento colorido do céu escurecido,
foi improvável!
Acordei assustada depois, mal percebi que cheguei e dormi,
de tão surreal que tudo me pareceu, mas tudo bem novamente,
cruzei os braços e pensei em te ligar, realmente liguei
porém ninguém atendeu, assim que ouvi sua voz
deixei uma mensagem:
Me espere na estação 77 assim que a chuva passar,
estarei segurando uma cesta de frutas pra sangria
surpresa que vou preparar, não esqueça de se levar
à meia noite...
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
a volta do sol seria antiquada?
A doença é boa, enquanto me consome e me encanta. Da janela eu
imagino tudo enquanto o céu muda de cor só pra me agradar.
A volta do sol não seria antiquada :)
imagino tudo enquanto o céu muda de cor só pra me agradar.
A volta do sol não seria antiquada :)
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Confusão igual e diferente de segundas-feiras imaginárias.
Meses de mistério para isso, gosto de lichia enquanto eu assisto a vida passar
do apartamento dos seus olhos sempre tão distantes e invisíveis.
Eu estou em tantos lugares que me esqueci
deste detalhe, enquanto você passava.
Claro, foi sempre minha culpa. Estava correndo por aí, esperando por isso,
esperando por tudo e até agora esperando para a porta abrir e finalmente
você sorrir dizendo que me encontrou, sendo que na verdade
eu sinto o contrário. Mas nunca te vi, distraída e até mesmo inconsequente.
Eu derrubei o pote de vidros no chão, embora espalhem por aí
que eu fiz de propósito,
Tudo bem, isso faz muito tempo. Eu sempre pensei que fosse mentira,
apesar de sempre tentar decifrar todos os sinais, como pegadas pr'um
mundo que a muito tempo busquei. Sim, é o coringa da ilha distante.
Eu ainda sou humana, mas anseio me tornar parte deste baralho,
que a ilha exploda, que a terre ceda, mas que ele não se despedace
diante de mim, como tudo que achei ter criado.
A flor do jardim mais alto me impede de ver a lua, a luz, eu não posso
escalar, eu devo ficar no abismo, eu devo me esconder? eu devo fugir
antes que aconteça o pior. Melhor deixar tudo cinza enquanto eu ainda
consigo respirar.
Levou tanto tempo, todo tempo do mundo. E eu vou contar simplesmente,
porque não gosto de esconder os fatos:
Ela se apaixonou por ter comido as cerejas que ele deixou pelo caminho,
ela só estava com fome, nem sabia o que iria encontrar, até que
se encontrou sob seus pés. Ele havia planejado tudo? Infelizmente,
a última estava envenada, ela não podia ter ido tão longe.
Pronto. Ela acordou, e agora não sabe o que fazer. Me ligou aflita,
e me falou durante três horas e três minutos sobre seus medos.
Eu fiz o melhor que eu pude e horas depois soube que ela pulou
do último andar do prédio em que vocês não se viram pela
primeira vez.
do apartamento dos seus olhos sempre tão distantes e invisíveis.
Eu estou em tantos lugares que me esqueci
deste detalhe, enquanto você passava.
Claro, foi sempre minha culpa. Estava correndo por aí, esperando por isso,
esperando por tudo e até agora esperando para a porta abrir e finalmente
você sorrir dizendo que me encontrou, sendo que na verdade
eu sinto o contrário. Mas nunca te vi, distraída e até mesmo inconsequente.
Eu derrubei o pote de vidros no chão, embora espalhem por aí
que eu fiz de propósito,
Tudo bem, isso faz muito tempo. Eu sempre pensei que fosse mentira,
apesar de sempre tentar decifrar todos os sinais, como pegadas pr'um
mundo que a muito tempo busquei. Sim, é o coringa da ilha distante.
Eu ainda sou humana, mas anseio me tornar parte deste baralho,
que a ilha exploda, que a terre ceda, mas que ele não se despedace
diante de mim, como tudo que achei ter criado.
A flor do jardim mais alto me impede de ver a lua, a luz, eu não posso
escalar, eu devo ficar no abismo, eu devo me esconder? eu devo fugir
antes que aconteça o pior. Melhor deixar tudo cinza enquanto eu ainda
consigo respirar.
Levou tanto tempo, todo tempo do mundo. E eu vou contar simplesmente,
porque não gosto de esconder os fatos:
Ela se apaixonou por ter comido as cerejas que ele deixou pelo caminho,
ela só estava com fome, nem sabia o que iria encontrar, até que
se encontrou sob seus pés. Ele havia planejado tudo? Infelizmente,
a última estava envenada, ela não podia ter ido tão longe.
Pronto. Ela acordou, e agora não sabe o que fazer. Me ligou aflita,
e me falou durante três horas e três minutos sobre seus medos.
Eu fiz o melhor que eu pude e horas depois soube que ela pulou
do último andar do prédio em que vocês não se viram pela
primeira vez.

Bem, faltam algumas páginas pr'eu terminar o Bonjour Tristesse de
Françoise Sagan e antes d'eu devolvê-lo vou marcar
as frases que eu gostei do livro:
(...) Il me tenait serrée contre lui, soulevée, la tête sur son épaule.
En ce moment-là, je l'aimais. Dans la lumière du matin, il était
aussi doré, aussi gentil, aussi doux que moi, il me protégeait. Quand
sa bouche chercha la mienne je me mis à trembler de plaisir
comme lui et notre baiser fut sans remords et sans honte,seulement
uma profonde recherche, entrecoupée de murmures
(...) Pour la consoler, une idée cynique me vint, qui m'enchanta
comme toute les idées cyniques que je pouvais avoir: cela me
donnait une sorte d'assurance, de complicité avec moi-même,
enivrante.
(...) Les baisers s'épuisent, et sans doute s'il m'avait moins aimée,
serais je devenue sa maîtresse cette semaine-là. (...)
Je me rappelle encore le goût de ces baisers essoufflés,
inefficaces, et le bruit du coeur de Cyril contre le mien en
concordance avec le déferlement des vagues sur le sable...Un,
deux, trois, quatre battement de coeur et le doux bruit sur le
sable, un, deux, trois...
(...) J'acquérais une conscience plus attentive des autres, de moi-même.
La spontanéité, un égoisme facile avaient toujours été pour moi un
luxe naturel.
(...) Je sais, dis-je. Moi, je suis le jeune être inconscient et sain, plein
de gaieté et de stupidité.
(...) J'avais la même impression que lorsque le sable s'enfuyait sous
moi, au départ d'une vague: un désir de défaite, de douceur m'avait
envahie et aucun sentiment, ni la colère ni le désir, ne m'avait
entraînée comme celui-là. Abandonner la comédie, confier ma vie,
me mettre entre ses mains jusqu'à la fin de mes jours. Je n'avais jamais
ressenti une faiblesse aussi envahissante, aussi violente. Je fermai
les yeux. Im me semblait que mon coeur cessait de battre.
(...) Un jour, j'aimerais quelqu'un passionnément et je chercherais
un chemin vers lui, ainsi, avec précaution, avec douceur, la main
tremblante...
(...) J'aperçus au fond de la mer un ravissant coquillage, une pierre
rose et bleu; je plongeai pour la prendre, la gardai toute douce et usée
dans la main jusqu'au déjeuner. Je décidai que c'était un
porte-bonheur, que je ne la quitterais pas de l'été. Je sais pas pourquoi
je ne l'ai pas perdue, comme je perds tout. Elle est dans ma main
aujourd'hui, rose et tiède, elle me donne envie de pleurer.
(...) Je ne sais pas ci c'était de l'amour que j'avais pour lui en ce moment-
j'ai toujours été inconstante et je ne tiens pas à me croire autre que je
ne suis - mais en ce moment je l'aimais plus que moi-même, j'aurais
donné ma vie pour lui.
(...) Le soleil se décrochait, éclatait, tombait sur moi. Où étais-je? Au fond
de la mer, au fond du temps, au fond du plaisir...
(...) Mon corps le reconnaissait, se retrouvait lui-même, s'épanouissait
contre le sien. Je l'embrassai passionnément, je voulais lui faire mal, le
marquer pour qu'il ne m'oublie pas un instant de la soirée, qu'il rêve de moi,
la nuit. Car la nuit serait interminable sans lui, sans lui contre moi,
sans son habileté, sans sa fureur subite et ses longues caresses.
(...) Je ne me plais pas. Je ne m'aime pas, je ne cherche pas à m'aimer.
Il y a des moments où vous me forcez à me compliquer la vie. Je vous
en veux presque.
(...) Tu te trouves odieuse? Dors plus, bois moins.
(...) Nous étions de la même race, lui et moi; je me disait tantôt que
c'était la belle race pure des nomades, tantôt la race pauvre et
desséchée des jouisseurs.
(...) Mais je n'aime pas cela, de devoir recourir aux déficiences de
ma mémoire, à la légèreté de mon esprit, au lieu de les combattre.
Je n'aime pas les reconnaître, même pour m'en féliciter.
(...) Seulement quand je suis dans mon lit, à l'aube, avec le seul
bruit des voitures dans Paris, ma mémoire parfois me trahit:
l'été revient et tous ses souvenirs. Anne, Anne! Je répète ce
nom très bas et très longtemps dans le noir.
Quelque chose monte alors en moi que j'accueille par son
nom, les yeux fermés: Bonjour Tristesse.
-Aliás, acabei de terminar :)
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